Ainda sem definição oficial, a cúpula do Partido Liberal passou a investir publicamente na composição de Romeu Zema como vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, visando a formação de uma candidatura unificada da direita para a eleição presidencial de outubro.
A estratégia da legenda consiste em apresentar uma única candidatura do campo conservador para intensificar a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aliados de Flávio Bolsonaro iniciaram conversas com membros do Novo com proximidade à família Bolsonaro para persuadir Zema a reconsiderar sua pré-candidatura própria e aceitar a indicação para a vice-presidência.
O governador mineiro possui alta aprovação popular após oito anos à frente do governo de Minas Gerais e um perfil técnico alinhado com o mercado financeiro e o setor produtivo, fatores que o Partido Liberal avalia como potencialmente convertíveis em votos.
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, tem se caracterizado como estado-pêndulo nas últimas disputas presidenciais, e sua inclusão na chapa é considerada potencialmente decisiva.
O próprio Flávio Bolsonaro elogiou publicamente Zema como possível vice-presidente na sexta-feira, dia 10, e, no sábado, dia 11, publicou um vídeo ao lado do ex-governador, gravado durante o Fórum da Liberdade em Porto Alegre, no qual ambos brincam com a possibilidade de formação da chapa.
Até o momento, Zema recusou publicamente a posição. “Levarei minha pré-campanha e campanha até o final. Ser vice de outro candidato, de certa forma, implicaria em o Partido Novo ceder a questões com as quais não concordamos”, declarou ao anunciar um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes no Senado, em 9 de março.
Internamente, o Novo apresenta divisões: uma ala acredita que Zema deveria recuar e aceitar a vice-presidência na chapa de Flávio, enquanto outra defende a manutenção de sua candidatura própria. A aproximação do empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado e que rompeu com o clã Bolsonaro, alimenta os rumores de uma composição.
Independentemente do desfecho das negociações com Romeu Zema, o Partido Liberal estrutura palanques estado a estado. Em Minas Gerais, o partido articula uma candidatura própria ao governo estadual e ao Senado sob o comando de Nikolas Ferreira, que descarta uma candidatura própria e deve se consolidar como