Segundo o projeto que está sendo executado, a estrutura serve para “garantir a segurança na estabilidade da areia da praia”. O primeiro espigão está sendo construído no Pico de Matinhos.
Em paralelo, nesta semana, é feito o nivelamento fino na praia com tratores e o recolhimento da tubulação, que será levada na próxima semana para o Balneário Flórida. Também na próxima semana, a tubulação que está na água será transportada para uma nova posição no Balneário Riviera.
Devido aos serviços executados pelo Consórcio Sambaqui – vencedor da licitação pública para executar o projeto desenvolvido pelo Instituto Água e Terra (IAT) –, a praia de Caiobá ainda não está liberada para uso público. Uma das explicações para mantê-la interditada é que o perfil da praia formado no início da colocação da areia precisa se “moldar” com a ação das ondas.
Com o tempo, a areia despejada mais acima deve ser carreada para o fundo, formando um perfil mais suave e com a arrebentação da onda numa extensão maior. A areia colocada inicialmente é muito “fofa”, podendo causar acidentes como afundamento. Com o tempo, essa areia vai adensando e se tornando mais segura para andar em cima, podendo ser liberada para o uso público. É importante respeitar que para cada tipo de areia, há um tempo de adequação.
Além disso, outros serviços são realizados na praia de Caiobá, a fim de garantir a qualidade do engordamento da faixa de areia. A proteção costeira, iniciada no mês de maio, segue em andamento. A estrutura é importante para dar segurança à orla da praia durante as ocorrências de ressacas. Ela é formada por formas têxteis do tipo bolsa e do tipo colcha, preenchidas com argamassa, que irão funcionar como um muro de proteção das estruturas de urbanismo e paisagismo.
ESPIGÃO – No projeto de recuperação da orla de Matinhos estão previstos espigões na altura do Morro da Pedra e do Canal do Rio Matinhos. Com o mesmo objetivo, serão construídos dois headlands, nos balneários Riviera e Flórida. A estimativa é de que a construção do primeiro espigão, no Pico de Matinhos, seja concluída em aproximadamente quatro meses.
A implantação do espigão é um processo complexo e começa com a construção dos núcleos, que são compostos por tubos de geotêxtil de alta densidade preenchidos com areia. Após a execução do primeiro trecho do núcleo da estrutura, será construído o talude de rochas, conforme a declividade do projeto. Esta camada é denominada “carapaça” e é constituída por rochas de diversos tamanhos, aumentando conforme a estrutura adentra em direção ao mar.
GEOTÊXTIL – A escolha de utilização dos tubos de geotêxtil como núcleo das estruturas marítimas semirrígidas se dá por diversas razões. Uma delas é que o solo na praia de Matinhos é composto por uma camada de areia superficial de alguns metros sobre uma camada espessa de argila orgânica, de consistência variando de muito mole a mole em dezenas de metros. Essa condição é desfavorável para que se construa uma estrutura somente com rochas.
Outra razão é que, em comparação à solução em pedra, a estrutura em tubo de geotêxtil permite que se trabalhe com elementos maiores, que são cheios gradativamente por bombeamento, carregando o terreno de fundação de maneira melhor distribuída. Uma outra vantagem é que este permanece intacto e resistente a ondas e correntes, caso as camadas superiores (filtro e carapaça) sejam danificadas por alguma ressaca excepcional.
Por fim, a solução adotada no projeto permite uma diminuição drástica de caminhões transitando pela área urbana do município de Matinhos, pois o preenchimento dos tubos de geotêxtil será realizado com areia da própria praia, além de reduzir o impacto ambiental na extração de um grande volume de rocha. Nos trechos que demandarem trabalho submerso, uma equipe de mergulhadores irá supervisionar e conferir a execução dos serviços.
Na posição da carapaça que sofre mais influência das ondas, serão colocados os tetrápodes nas extremidades das estruturas. São blocos de concreto não armados que, como o nome expressa, tem quatro pés (ou “pernas”). Estas “pernas” se intertravam entre blocos vizinhos, o que possibilita dar estabilidade à estrutura com elementos menores e mais leves.
Segundo o IAT, para caracterizar adequadamente o clima de ondas, o projeto da Recuperação da Orla de Matinhos utilizou dados apresentados no Plano de Desenvolvimento Sustentável do Litoral do Paraná – PDS Litoral (2018). “Este estudo aponta ondas com até 5,4 metros de altura para uma recorrência de 100 anos. Portanto, o projeto considerou os dados mais atuais disponíveis para a região, de maneira que se garante a perfeita estabilidade das estruturas mesmo em condições climáticas adversas”, informa o IAT.