Brasil e a Turquia são os dois únicos países, dentre as 171
nações que aderiram às medidas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS),
que implementaram ações governamentais de sucesso para a redução do consumo de
tabaco. O resultado está no 7º Relatório da OMS sobre a Epidemia Mundial do
Tabaco.
O relatório tem foco nos progressos feitos pelos países para
ajudarem as pessoas a deixar de fumar. Na avaliação do órgão, o Brasil, na
segunda posição, é exemplo para o mundo no combate ao tabagismo.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que, sem
decisão política e parcerias no Senado e na Câmara Federal, as políticas de
combate ao tabagismo acabam chegando, mas levam mais tempo para serem
aplicadas. Ele lembrou que o início do movimento contra o consumo de tabaco
começou no Rio de Janeiro e o Brasil agora “pode exportar um comportamento
muito mais de vanguarda, ligado ao amanhã, e que se trata de combater o
tabagismo”.
Segundo Mandetta, a ideia é colocar nos planos de saúde o
combate ao consumo de tabaco. “Nós queremos ser o primeiro país do mundo livre
do tabaco. Depende de nós”. O ministro espera que neste século 21, todas as
nações caminhem nessa mesma direção.
Queda do consumo
Brasil e Turquia se tornaram referências internacionais no
combate ao tabagismo, tendo alcançado o mais alto nível das seis medidas Mpower
(plano para reverter a epidemia do tabaco) de controle do tabaco. São elas:
monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção; proteger as pessoas
contra o tabagismo; oferecer ajuda para parar de fumar; avisar sobre os perigos
do tabaco; aplicar proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco; e
aumentar os impostos sobre o tabaco.
De acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e
Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), 9,3% dos
brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar, em 2018, contra 15,7%, em 2006,
ano em que a pesquisa começou a ser feita. A tendência, segundo o ministério, é
de redução constante desse hábito no país.
Nos últimos 13 anos, a população entrevistada diminuiu em
40% o consumo do tabaco. A pesquisa revela ainda que o consumo vem caindo em
todas as faixas etárias: de 18 a 24 anos de idade (12% em 2006 e 6,7%, em
2018), 35 e 44 anos (18,5% em 2006 e 9,1% em 2018); e entre 45 a 54 anos (22,6%
em 2006 e 11,1% em 2018). Entre as mulheres, a redução do hábito de fumar
alcançou 44%.
Dados do Ministério da Saúde mostram que os esforços
governamentais para o fim do hábito de fumar no Brasil tiveram início nos anos
de 1990 quando profissionais dos estados e municípios foram capacitados pelo
Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca) para tratar
pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) em mais de 4 mil unidades de saúde
espalhadas pelo país. O SUS oferece tratamento gratuito para quem deseja parar
de fumar, incluindo o medicamento bupropiona, adesivos e gomas de mascar
(terapia de reposição de nicotina). Em 2018, foram tratadas mais de 134 mil
pessoas.
Segundo o Inca, quase 1,6 milhão de brasileiros fizeram o
tratamento para parar de fumar na rede pública de saúde, entre os anos de 2005
e 2016. Outro ponto que contribuiu para a redução do consumo de tabaco no
Brasil foi a criação de um serviço telefônico gratuito e nacional para a
população tirar dúvidas, o Disque Saúde 136. No Brasil, os impostos cobrados
sobre os produtos de tabaco chegaram a 83%, em 2018, contra 57%, em 2008.
O ato de fumar foi proibido em locais fechados, públicos e
privados, pela Lei 12.546/2011; as mensagens nas embalagens dos cigarros
tornaram-se mais impactantes com o passar dos anos; a publicidade do tabaco foi
proibida nos meios de comunicação e o patrocínio de marcas de cigarro foi
vetada em eventos culturais e esportivos. No ano passado, o Brasil assumiu o
compromisso de ajudar a extinguir o comércio ilícito de produtos de tabaco,
durante a 42ª Reunião de Ministros da Saúde do Mercosul.
Por: Folha Vitória
